Sexta-feira, 25 de Novembro de 2005

O TEU RISO

wave.jpg

”Tira-me o pão, se quiseres,
tira-me o ar, mas não
me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda
de prata que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver
que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas
as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite,
do dia, da lua,
ri-te das ruas
tortas da ilha,
ri-te desta grosseira
rapariga que te ama,
mas quando abro
os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar,
a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.”



Pablo Neruda


escrito por Ritisabel às 10:33

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30 comentários:
De Anónimo a 29 de Novembro de 2005 às 15:07
Este blog anda a nadar num mar de paixão, não anda??
~º(",)º~
FernandaFernanda Carvalho
(http://o-vento-debaixo-das-minhas-asas.blogspot.com/)
(mailto:falexcarvalho@yahoo.com)
De Anónimo a 29 de Novembro de 2005 às 09:15
Lindo poema amiga, quantas vezes precisamos de ler poemas assim para nos sentir-mos bem, e compreender muita coisa.
Beijinhosadryka
(http://suspirar.blogspot.com)
(mailto:adry1111349@gmail.com)
De Anónimo a 27 de Novembro de 2005 às 18:45
Pois... agora que és mais famosa do que o Divino Mestre Alector... não ligas nada à populaça... assim não dá rendimento... isto é completamente "implorável"... rôda-se!!! Também tenho que pôr um morto qualquer no meu Dique... ehe,ehe,ehe...CASTOR
(http://diquedocastor.blogs.sapo.pt)
(mailto:diquedocastor@sapo.pt)
De Anónimo a 26 de Novembro de 2005 às 21:40
Ola!apenas para deixar o meu blog,trabalho com bijuteria.Talvez estejas interessada,
beijo:)
marta.
http://contasartebiju.blogs.sapo.ptmarta
(http://contasartebiju.blogs.sapo.pt/)
(mailto:frutoproibidocontacto@hotmail.com)
De Anónimo a 26 de Novembro de 2005 às 21:30
:)Eli
(http://www.escreverumlivro.blogspot.com)
(mailto:)
De Anónimo a 26 de Novembro de 2005 às 13:23
AGUA SEXUAL
RODANDO a goterones solos,
a gotas como dientes,
a espesos goterones de mermelada y sangre,
rodando a goterones
cae el agua,
como una espada en gotas,
como un desgarrador río de vidrio,
cae mordiendo,
golpeando el eje de la simetría, pegando en las costuras del alma,
rompiendo cosas abandonadas, empapando lo oscuro.

Solamente es un soplo, más húmedo que el llanto,
un líquido, un sudor, un aceite sin nombre,
un movimiento agudo,
haciéndose, espesándose,
cae el agua,
a goterones lentos,
hacia su mar, hacia su seco océano,
hacia su ola sin agua.

Veo el verano extenso, y un estertor saliendo de un granero,
bodegas, cigarras,
poblaciones, estímulos,
habitaciones, niñas
durmiendo con las manos en el corazón,
soñando con bandidos, con incendios,
veo barcos,
veo árboles de médula
erizados como gatos rabiosos,
veo sangre, puñales y medias de mujer,
y pelos de hombre,
veo camas, veo corredores donde grita una virgen,
veo frazadas y órganos y hoteles.

Veo los sueños sigilosos,
admito los postreros días,
y también los orígenes, y también los recuerdos,
como un párpado atrozmente levantado a la fuerza
estoy mirando.

Y entonces hay este sonido:
un ruido ro¡o de huesos,
un pegarse de carne,
y piernas amarillas como espigas juntándose.
Yo escucho entre el disparo de los besos,
escucho, sacudido entre respiraciones y sollozos.

Estoy mirando, oyendo,
con la mitad del alma en el mar y la mitad del alma en la tierra,
y con las dos mitades del alma miro el mundo.

Y aunque cierre los ojos y me cubra el corazón enteramente,
veo caer agua sorda,
a goterones sordos.
Es como un huracán de gelatina,
como una catarata de espermas y medusas.
Veo correr un arco iris turbio.
Veo pasar sus aguas a través de los huesos.
(Pablo Neruda)Carlos
(http://vagueando.blogs.sapo.pt/)
(mailto:c_m_a_n_u_e_l@hotmail.com)
De Anónimo a 26 de Novembro de 2005 às 12:54
Lindo!!! :)Margarida Atheling
</a>
(mailto:margaridaatheling@sapo.pt)
De Anónimo a 26 de Novembro de 2005 às 09:11
Foste destacada no sapo... Parabéns! Como é que se faz??PDivulg
(http://www.lacosazuis.blogs.sapo.pt)
(mailto:pdivulg@sapo.pt)
De Anónimo a 26 de Novembro de 2005 às 02:23
"Nega-me ..., mas nunca o teu sorriso". Está tudo dito. O homem era mesmo um poeta e como poeta, um apaixonado pela vida e pelas artes do coração. Fica bem. BFS.mocho
(http://barrocodomocho.blogs.sapo.pt)
(mailto:mvilamoura@sapo.pt)
De Anónimo a 25 de Novembro de 2005 às 22:37
Só posso dizer que não contenho as lágrimas ao ler Neruda!

Bjk e bom fim de semana.Clitie
(http://vidaemonologo.blogspot.com)
(mailto:vidaemonologo@gmail.com)

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